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Início » 2013 » Agosto » 25 » POLIGLOTA DE UMA SÓ FRASE
5:05 AM
POLIGLOTA DE UMA SÓ FRASE


POLIGLOTA DE UMA SÓ FRASE: ”PARLEZ-VOUS FRANÇAIS, MONSIEUR?"
A meu ver, o estudo de, pelo menos, uma língua estrangeira devia ser uma exigência obrigatória nos currículos escolares. Não há necessidade de justificar assertiva tão óbvia. A informação é uma das ferramentas de desenvolvimento mais poderosas, na atualidade. Basta comparar as modernas empresas do ramo de informatização com as ainda gigantescas multinacionais clássicas do comércio e da indústria.
Ainda estamos reivindicando, em nosso país, a inclusão, no universo dos alfabetizados, de quatorze milhões de analfabetos clássicos ou funcionais. Contudo, independente dessa luta pela erradicação do analfabetismo, temos de nos empenhar sempre pela melhoria de qualidade do nível de educação formal em todas as instâncias escolares.
Necessitamos de uma revolução educacional urgente, a exemplo de países atualmente no topo da lista dos mais desenvolvidos, como Japão e Coréia do Sul.
Em instância pessoal, creio eu, o cidadão tem a responsabilidade de melhorar a si mesmo, pois, melhorando-se, pessoalmente, termina elevando a média de qualidade em nível coletivo.
Façamos a nós mesmos o seguinte desafio: vou aprender, pelo menos, as línguas do meu continente. Teremos, então, o português, o inglês, o espanhol, o francês e o holandês. Não é pouco, mas é possível.
Fiz o longo preâmbulo acima para contar dois episódios folclóricos relacionados a idiomas estrangeiros.
O primeiro se deu no Banco do Brasil, onde trabalhei por mais de uma década. Havia, lá, como talvez ainda haja, hoje, serviços demandados por estrangeiros, desde a importação e exportação de mercadorias até o simples câmbio de moedas, no qual o turista comum trocava seu dinheiro e cheques de viagem, de qualquer valor, pela moeda corrente nacional, para as despesas diárias.
Mas, para quem não sabe, há, nos bancos, um recurso de compra e venda de moedas estrangeiras, chamado arbitragem, pelo qual se compra numa praça, no exterior, vamos dizer New York e, imediatamente, vende-se em outra, Japão, por exemplo. As diferenças de taxas de câmbio permitem ganhos consideráveis, dependendo do volume negociado; em geral, são grandes cifras, pois as diferenças de cotação entre moedas, de regra, são muito pequena.
Um dia apareceram, no banco, um japonês e um alemão interessados numa operação de arbitragem. O japonês - soube-se depois - falava, além de sua língua, o português, com pouco sotaque. O alemão falava também japonês e português, alem de sua língua, é obvio. Nosso gerente falava apenas português e olhe lá. Desejavam comprar marco alemão, na praça comercial de Nova York, com dólar, e vendê-lo em Frankfurt, por uma cotação maior. Esperavam um lucro de setenta mil dólares.
Não se sabe por qual motivo de falta de comunicação entre eles, estabeleceu-se, no momento de se apresentarem, uma verdadeira babel de línguas. O gerente estava interessado em praticar seu inglês precário e forçou a barra para utilizá-lo naquela oportunidade.
Então, o japonês começou a falar em alemão. O cidadão germânico traduzia para o português; o nosso gerente, em retorno, falava em português, traduzido para o japonês, pelo germânico, e assim foram em frente.
Não se entendiam bem, como esperado, em função de complicados termos técnicos, de difícil tradução, mas, aos poucos e com muita paciência, foram vencendo etapa por etapa da difícil conversação, com a ajuda de muitas anotações escritas, gestos e mímicas. O esforço era imenso.
A certa altura, o gerente foi chamado para uma diligência rápida de sua exclusiva competência. Aí aconteceu o incidente folclórico. Aproveitando a ocasião, o japonês perguntou, em português perfeito, sem sotaque, se havia a disponibilidade de um cafezinho; o gerente do banco, surpreendido pela clareza da pronúncia, perguntou se ele falava português; o nipônico confirmou; morava, há algum tempo, no Brasil e falava e entendia bem o idioma pátrio. O germânico, também surpreso, inquiriu sobre o motivo de estarem falando com tradução simultânea, se todos falavam português sem dificuldade; ninguém soube explicar, senão por um sorrisinho sem graça. E o mais incrível: enquanto tomavam o cafezinho, chegaram a se entender, perfeitamente, na nossa bela língua.
Na despedida, riram muito de si mesmos. O alemão creditou o incidente na conta das armadilhas da globalização. E contou um fato semelhante acontecido com ele, nos anos de sua juventude. Quando estudava, dividiu um quarto de república de estudante com um russo. Nessa época, já falava muito bem a língua japonesa, por conta de ter morado um bom tempo, no Japão, como representante de uma empresa alemã. O russo, quase pelo mesmo motivo, também falava a língua nipônica. Contudo, apesar de morarem juntos só se descobriram conhecedores de um idioma comum quase dois meses depois de se encontrarem, quando, então, acabou toda a dificuldade e todo constrangimento das tentativas de se fazerem entender por gestos e mímicas.
Nosso gerente também narrou um incidente constrangedor, provocado por ele mesmo. O banco tinha comunicados padrões, nas principais línguas estrangeiras, usados em todas as grandes agências do país. O gerente, achando muito extensa, num dos comunicados padrão, a informação aos turistas da existência de serviço de compra e venda de moedas estrangeiras, aventurou-se a lançar mão de seu inglês de principiante e resumiu um dos comunicados à seguinte frase: "We had foreign currencies” – nós tínhamos moedas estrangeiras. Devia ter escrito, no lugar de had, a palavra have – temos. O turista, muito prático, de raciocínio rápido e perspicácia afiada, chegava, lia "tínhamos” e ia embora. Naquela manhã não houve operações de câmbio, até alguém perceber algo muito estranho, fora da normalidade, e descobrir a frase de despiste.
O segundo episódio aconteceu na nossa Seção de Trabalho, responsável pela tramitação de Pedidos de autorização de trabalho estrangeiro, no Brasil.
Como temos observado, ao longo de nossa convivência com estrangeiros, quando eles se deparam, em outro país, com alguém dotado de conhecimento de sua língua, mesmo precário, abrem um largo sorriso e se sentem invadidos pelo sentimento de estarem em casa.
Sabendo disso, a gente se empenhava ao máximo e fazia o possível para entender e dar respostas em frases feitas, de manuais de cursos rápidos de idiomas.
Houve uma remoção de servidores e recebemos um colega, designado a trabalhar no serviço de recepção de estrangeiros. Procurou logo aprender de cor algumas expressões idiomáticas, bem como perguntas e respostas padronizadas, de uso diário. Gostou muito da pergunta "parlez-vous français, Monsieur?”
Uma tarde, final de expediente, lá entra um francês. Nosso colega se ajeitou, na cadeira, limpou a mesa e ficou esperando. Uma oportunidade de testar os conhecimentos. O cidadão aproximou-se, meio indeciso, balançando a cabeça e ficaram os dois cara a cara, olho no olho, analisando-se mutuamente, mas vacilantes, com o terrível medo de iniciar uma saudação de cumprimento e não ser entendido. Na indecisão, o colega arriscou: "parlez-vous français, Monsieur?
O estrangeiro esboçou aquele largo sorriso de satisfação, abriu a guarda, fez um gesto de abraço, puxou uma cadeira para se sentar mais próximo do nosso poliglota, cumprimentou-o com um fervoroso "Oui, Monsieur, je suis français” e disparou a expor sua demanda, numa cadência atropelada e sem pausa.
O colega, olho arregalado, procurava mentalmente uma palavra para dizer não conhecia daquele idioma senão a única frase "parlez-vous français, Monsieur?” e não conseguia e o francês falando acaloradamente e sem parar.
Foi quando chegou alguém com um pouco mais de conhecimento do idioma e disse: "Mon ami ne parle pas français, Monsieur”. 
Oui, mais Il a parlé três bien – disse o francês - e elogiou muito a perfeição da pronúncia do colega. 
- Mas ele só sabe falar essa frase, senhor – alguém fez observar.
E o Francês, muito educado e gentil, arrematou:
- Cela n'a pás d'importance. Pour moi, Il parle très bien. Traduzindo: isso não tem importância; para mim, ele fala muito bem.
E tudo terminou numa grande confraternização de fim de tarde de sexta-feira.
Não é nenhum demérito não falar outra língua além da materna. Porém, como fator distintivo de cultura e qualificação profissional e como chave mestra de abertura de janelas e portas sociais, é imprescindível saber, pelo menos, um segundo idioma. Portanto, coloquemos a nós mesmos o desafio intelectual: vou aprender a falar, pelo menos, duas ou três  línguas do meu continente.
Dr. Sagahc.


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